terça-feira, julho 23, 2013

Retranca

O filme é repetitivo, até demais para o meu gosto. E não é exclusividade colorada: como agredir adversários que jogam em busca de um empate, apenas especulando?

Como atacar e criar chances claras de gol quando o time adversário joga na retranca, com 2 linhas de quatro, ou povoa o meio de campo no 4-5-1, impedindo a articulação dos meias e jogando claramente por um contra-ataque?

Existem algumas formas de aplicar um contraveneno: a primeira seria a utilização dos laterais como alas, fugindo do congestionamento na área central do jogo; a segunda seria a intensa movimentação e troca de passes e posições (principalmente com viradas de jogo), de forma a abrir espaços para jogadores que vêm de trás e “desencaixando” a marcação adversária; e a terceira seria recuar um meia para a “volância”, ou ainda ser o felizardo de ter um volante inventivo, com capacidade criativa, de drible ou de articulação.

Pegamos o colorado como exemplo.

Os dois laterais, seja Gabriel e Fabrício/Kléber não conseguem apoiar com qualidade, tanto por característica da falta de velocidade quanto pelo fato de ter de se preocupar em excesso com o aspecto defensivo, já que não possuem cobertura adequada dos dois volantes que saem demais para o jogo.

O aspecto da movimentação simplesmente requer uma característica que os jogadores colorados não têm: Forlán raramente consegue sair do lado direito, Jorge Henrique é improdutivo na zona central de campo e D´alessandro padece da falta de companhia; some a isso tudo que a maioria dos jogadores colorados primam pela cadência da posse de bola, e não pela verticalidade, e a tarefa de criar espaços é acentuada drasticamente. Note que uma escalação com Caio e Otávio é uma alternativa que melhora bastante este aspecto, e deve (ria) ser treinada como opção.

Por fim, com D´alessandro vigiado de perto, os laterais sem conseguirem dar contribuição ofensiva, e com pouca ou nenhuma movimentação dos demais atacantes, a tarefa de iniciar a jogada e articular a equipe acaba caindo na mão (ou no pé) de nossos dois volantes: Williams e Josimar.

Aí, temos dois (ou mais) problemas graves: ambos os jogadores, por característica, são lentos e burocráticos: a bola sai sempre quadrada e o início da jogada é de baixa qualidade; e o segundo problema, decorrente do primeiro, é que com a necessidade de articular, ambos saem muito do lugar, erram muitos passes, geram muitos contra-ataques e acabam expondo a nossa lenta zaga ao combate direto (uma receita e tanto para um desastre).

O problema foi muito visível nos jogos contra o Bahia e Flamengo. No primeiro saímos atrás e jamais conseguimos entrar no jogo, e no segundo a sorte nos sorriu, mas a dificuldade em fazer o gol foi comparável à parir uma bigorna.

Cabe a Dunga agora com todas as peças disponíveis encontrar alternativas para propor jogo e agredir o adversário com mais qualidade, e sem deixar o sistema defensivo tão exposto.

Uma alternativa seria o ingresso de jogadores mais movediços e velozes, entre eles Caio, Otávio e agora Scocco.

O clube ganha também a opção do chute de longa distância com Alex, que junto com Alan Patrick, também pode ser recuado para dar uma melhor qualidade no início das jogadores.

Por fim, a volta de Ygor e sua fixação na primeira posição do meio-de-campo também pode atenuar um pouco as dificuldades, senão de criação, mas de proteção a zaga e de liberação dos laterais.

Certo é que alternativas ofensivas não faltam, o oposto de nossas opções defensivas.

Se Dunga já tem obtido bons resultados com pouquíssimas alternativas, o futuro é promissor agora que o clube lhe fornece mais opções; se todos mantiverem o foco e o trabalho, quem sabe ainda podemos ter bons motivos para sorrir em 2013.

@Davi_Inter_BV